Estou Doce



* Por Andrea Muller




Estou embriagada com tanta doçura. Não se trata apenas das oito fatias de torta de bombom, metade de um pudim e do pão feito em casa, que eu comi pra matar a fome de algo que não tem nome, além das taças diárias de vinho tomo desde que a quarentena começou.


A sensação que estamos sentindo tem nome, significado e intensidade diferentes para cada um. Vai passar e não seremos os mesmos.


Mas de uma coisa eu tenho certeza: nasci estragada! Não sei comer pouco nem provar. Não me fale em comer três biscoitos recheados. Isso não permite nem fechar a embalagem com um prendedor. Abro um saquinho de qualquer coisa e como até o último grão de farelo.

Outro motivo de doçura é uma indicação da cronista gaúcha Martha Medeiros, do livro “Pequenas Delicadezas conselhos sobre o amor e a vida”, de Cheryl Strayed, 286 páginas, editora Objetiva.



Ela citou o livro em uma de suas crônicas. Fiquei com aquilo na cabeça e consegui ler um capítulo pela internet. Não me contentei com uma fatia, um capítulo. A leitura me garante a recomendação.


O livro teve origem na internet na coluna do site "Rumpus", onde centenas de pessoas buscaram os conselhos de Doçura, pseudônimo da autora, que respondia cartas. Uma seleção delas virou o livro. Leia.

Durante a leitura, em algum momento, a sua vida vai saltar diante de seus olhos. São problemas de outras pessoas e, ao mesmo tempo, comuns e únicos. E para cada carta a senhora Doçura tem uma resposta.

Eis o trecho de uma resposta:


“Você se boicota e ainda assim é consumida por ideias de grandeza que tem a respeito de sua própria importância. Você se acha demais ou de menos.


Nenhum dos dois é o lugar onde conseguimos ter algum resultado. Conseguimos ter algum resultado no nível básico. E a coisa mais gentil que posso fazer por você é dizer para colocar os pés no chão.


Sei que é difícil escrever, querida. Mas é mais difícil não escrever. A única maneira para você descobrir se 'tem isso em você' é escrever e ver se consegue. A única maneira de superar suas 'limitações, inseguranças, ciúmes e incapacidades' é produzir. Você vai se sentir insegura e com ciúmes. Depende totalmente de você”.

A jornalista Sasha Frere do "The New Yorker" disse: “Doçura não mima seus leitores – acredita nele e ouve as histórias por trás das histórias que eles acham que querem contar. Ela lida com inacreditáveis doses de empatia, sem se tornar sentimental demais, e enxerga os problemas antes que os leitores o façam. Doçura não promete fazer ninguém se sentir melhor, ela apenas compreende o problema tão bem a ponto de ser capaz de respondê-lo”. ***

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* Andréa Muller, 53 anos, jornalista e cronista. Trabalha há mais de 30 anos na assessoria de comunicação de uma indústria de petróleo cuidando de imagem e reputação e comunicação com todos os públicos de interesse, além de coordenar projetos de respons habilidade social. Escreveu crônicas por 10 anos no Jornal Agora, em Rio Grande (RS) e por dois anos manteve um programa de entrevistas – A Boa conversa, na TV MAR. É autora do livro de crônicas O Nó da Gravata.


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